Notas de viagem

Sábado à noite

23/Março/2009 · 1 Comentário

São 22h15 de sábado, eu trabalhei como um xarope desde as 13 horas e estou na Marginal do Tietê esperando o maldito ônibus, que, ora pois, chega e, aleluia!, não me deixa na mão. Subo e, como de costume, ele está lotado. (Eu acho que nunca vou conseguir entender o motivo desse maldito Cometa estar tão lotado a essa hora da noite.)
Busco e consigo achar um banco vazio, sem ninguém para dividir o aperto. É o último disponível. Tento reclinar a cabeça e cochilar até chegar em casa, mas é impossível, porque o ônibus da frente está em EBULIÇÃO completa. (Isso é outra coisa que eu acho que nunca vou entender: por que as pessoas ficam tão ANIMADAS no Cometa de sábado à noite?)
Um ou dois bancos atrás, ao lado do corredor, um sujeito com a entonação de voz semelhante à do Richarlyson, com direito a lingua presa, ouve um bate-estaca horroroso em alto volume e conversa animadíssimo sobre a balada em que esteve, ou será a que ele irá?
No banco logo atrás de mim, um casal evangélico, com toda a pinta de recém-convertido, conversa sobre o malefício das drogas. Na verdade trata-se de um monólogo, porque o cara fala mais que a própria boca, e só ouço a voz feminina em pequenos “aham”, “hum hum” e, na melhor das hipóteses, “é verdade”. É um papo que me irrita deveras, porque quem me conhece sabe que eu sou religioso, mas tenho uma certa restrição a citar as palavras “Jesus” e “Cocaína” na mesma frase. E não se trata de falta de respeito ao segundo mandamento, mas sim por ter um pé e meio atrás dessas histórias fantásticas de conversão.
Nos dois bancos à frente, quatro garotas, que ainda devem estar na faixa dos 20 e poucos anos, falam como matracas, animadíssimas, torcendo para que a chuva não tenha deixado muito enlameada a chácara onde será a festa à qual irão. (Começo a compreender por que as pessoas saem de São Paulo para Sorocaba no sábado à noite. Deve ser uma daquelas festas cretinas cheias de mauricinhos e que você liga para uma “infoline” para obter informações. Passo.)
De repente, um momento de silêncio no banco imediatamente à frente. Uma discreta e curiosa olhada e a constatação: as duas estão se beijando. Penso e twitto: “Extremos separados por 3 metros e eu no meio”. O que será que os evangélicos daqui de trás pensariam dessa cena? Que acaba sem qualquer romantismo: as duas do banco seguinte se viram e fazem aquelas velhas piadas para separar o casal, “Larga”, “Joga água fria”, “Vou contar pra sua mãe” e por aí vai.
Consigo pegar no sono, acho que uns 20 minutos, mas acordo com uma ligação da Camila perguntando quanto tempo ainda vou demorar. As garotas, animadíssimas, começam a reclamar da demora da viagem, a balada deve ser fortíssima, e falam da vontade de “mijar”, assim mesmo, além de contar piadas sujas e falar besteiras – em voz alta – com uma naturalidade de constranger o policial e de acabar com a excitação de qualquer homem mais animadinho que sonha em “converter” uma lésbica.
E assim chego em casa, já são 23h15 (foi rápido) e a Camila me espera para chegarmos em casa. Se todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, tudo o que eu quero é só um pouco de paz e sossego, o que, até agora, foi impossível.

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Lata de sardinhas

19/Fevereiro/2009 · Deixe um comentário

Não faz muito tempo que eu reclamei dos micro-ônibus (só que agora escreve diferente) que a Cometa colocou para fazer alguns horários na linha Sorocaba-São Paulo. Mas ontem, na volta, tive a chance de viajar num deles e fazer minha estréia na categoria lata de sardinhas.
Sim, porque não é outra a percepção que a gente tem ao andar num desses com lotação completa – e eu ainda tive a “sorte” de sentar na última fileira, espremido entre outros dois passageiros, sendo um deles um rapaz que estava até constrangido com o aperto, e outro um tiozinho advogado, absorto até onde podia num livro jurídico, que não se importava de ficar o tempo todo com o cotovelo encostado na minha barriga cada vez maior.
Que dureza. E pior que nem valeu a pena se apertar. Isso porque eu peguei esse com o horário das 17h40, e fiz questão dele porque o seguinte, das 17h50, faz o caminho via Éden na chegada a Sorocaba, com uma razoável volta extra que leva uns 20 minutos, e não quis esperar pelo das 18h. Pois bem, logo depois que cheguei a Sorocaba e desci do ônibus, enquanto ainda esperava a Camila chegar pra me levar até em casa, o maledeto ônibus das 18h encostou. E, aparentemente, pouco cheio. Escolhas, escolhas…

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No claro

17/Fevereiro/2009 · 1 Comentário

Acabou o horário de verão, e a única coisa boa disso – pois era bom demais chegar em Sorocaba ainda sob dia claro – é que começa a amanhecer mais cedo, agora por volta das 5h40, mais ou menos – diferente do breu que eu vinha pegando por volta das 6 horas.
Não que faça alguma diferença, até porque dormi como um bebê normalmente na viagem de hoje, mas a sensação de insegurança ao caminhar nesse horário fica um pouco menor agora. Pena que, nas próximas semanas, começa a anoitcer cada vez mais cedo e logo estará escuro como noite quando eu chegar em casa. Nada é perfeito, de fato. Mas, se eu pudesse escolher, preferia a adoção permanente do horário de verão.

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Quando o sistema cai…

11/Fevereiro/2009 · Deixe um comentário

“Caiu o sistema”. A desculpa preferida de técnicos de informática, bancários e atendentes de telefônicas pode ser um problema terrível quando resolve virar realidade numa grande empresa de ônibus interurbanos na noite de uma sexta-feira, o Dia Mundial de Voltar pra Casa.

Segue o relato do meu irmão na sexta-feira passada (eu tinha saído mais cedo do trabalho e nem fui até a Barra Funda):

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Sono

21/Janeiro/2009 · Deixe um comentário

Tenho sono. Tenho muito sono. Nos últimos três dias, dormi praticamente a viagem toda, e em vez de descer ali na ponta e vir andando até o jornal, como fiz na semana passada inteira, estou esticando até a Barra Funda pra ver se consigo dormir mais um pouquinho.

O que mais me incomoda nesse novo horário é o fato de estar tudo escuro quando saio de casa. Óbvio, são 5 e pouco da manhã, mas é meio estranho pensar que eu já estou na rua, (supostamente) acordado, enquanto o povo dorme o sono dos justos. Acho que quando acabar o horário de verão e começar a amanhecer mais cedo vai ser um pouco melhor. Nada contra o horário de verão, muito pelo contrário, pois se é ruim sair no escuro, não tem coisa melhor do que chegar e ainda estar dia.

Acho que com o tempo eu consigo me acostumar melhor, até porque estou longe de ser o único a fazer isso. Nós somos tantos, aliás (e hoje o Cometa das 5h15 estava bem cheio, registre-se), que saiu até matéria no último sábado no Tem Notícias, o SPTV local, sobre a vida do povo que vai “aproveitar as oportunidades da Capital”, um discurso que eu confesso ter achado provinciano demais para 2009, mas a matéria até que ficou boa, mostrando inclusive a rotina de um casal que acorda às 4 e qualquer coisa da manhã pro sujeito conseguir pegar um fretado.

Claro que, em tempo de TV, mal deu tempo de abordar melhor o assunto. Mas só o fato de ter saído já me anima a continuar escrevendo neste blog, que um dia resultará num livro. Isso, claro, se o sono deixar que eu continue colecionando novas histórias e experiências, porque, do jeito que a coisa está, periga eu só conseguir escrever sobre sonhos.

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Crônica dos novos tempos

12/Janeiro/2009 · 3 Comentários

4h45 – Acordo, tomo banho, troco de roupa .

5h15 – Saio de casa.

5h35 – O Cometa das 5h20 passa ali na Marginal.

5h50 - O Cometa chega à Castello Branco. Pego no sono em seguida.

6h35 – Acordo e já está quase terminando de amanhecer. O ônibus está ali no trevo de Osasco, parado em meio a um trânsito razoavelmente pentelho. É inacreditável como tem gente em São Paulo, para ter tanto trânsito a essa hora da madrugada.

6h50 – O Cometa passa pela Ponte dos Remédios e o trânsito começa a fluir. Lentamente.

7h05 - Desço do ônibus ali na altura de sempre, na entrada da Ponte Júlio de Mesquita Neto.

7h15 – Chego ao jornal, com 45 minutos de adiantamento. Trabalho como um doido durante boa parte do tempo.

16h00 - Saio do jornal, vou até a Barra Funda para pegar o Cometa da volta.

18h30 - Estou em casa. E encontro a Camila acordada, por incrível que pareça. Missão cumprida, dia ganho de trabalho, e mais um tempo para curtir minha mulher, meu filho que vai nascer… Isso sim é vida.

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Mudança de veículo

27/Dezembro/2008 · 1 Comentário

O negócio é que, a partir de 12/01, troco o Cometa nosso de cada dia por um ônibus fretado. A melhor notícia nem é essa, e sim o fato de voltar a trabalhar no horário de gente civilizada, ainda que, para isso, seja preciso acordar às 5 da manhã – mas pelo menos serápossível ter um mínimo de vida social à noite, além de uma convivência maior com a família, que ganhará novo integrante em 2009, afinal.

As minhas lembranças de viagens em ônibus fretado são das melhores possíveis, e estão esmiuçadas no capítulo 5 de <a href=http://amalgama2.blogspot.com/2008/01/na-cauda-do-cometa-parte-5.html target=blank>Na Cauda do Cometa</A>. Mas é claro que os tempos são completamente outros e as expectativas são completamente diferentes – e o objetivo maior é conseguir dormir o tempo todo, especialmente nas viagens de ida.

O negócio é que este blog continua, afinal as histórias de viagem continuarão e eventuais passeios de Cometa não devem faltar, principalmente nos inevitáveis fins de semana de trabalho. E, promessa de Ano Novo, em breve as coisas voltam ao ritmo normal, com novas histórias, reflexões e etcéteras, que são certamente a melhor parte.

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Microoônibus, macropentelhações

04/Dezembro/2008 · 1 Comentário

Já fazia um tempo que a Cometa tinha inventado uns microônibus na linha São Paulo-Jundiaí, que em vez de ir até o Tietê parava na Barra Funda, e nem lá dentro, mas no ponto das lotações, boa opção para a tropa lá do jornal que mora na cidade das uvas. E de um mês pra cá eles colocaram alguns para fazer a linha de Sorocaba.

Pego de surpresa ao subir num deles certo dia, fiz a velha piada: “Uai, lavaram o ônibus e ele encolheu?”, o motorista disse que era um teste que eles iam fazer, no começo com algumas linhas em horários menos cotados, em que às vezes um Halley seria um excesso – e realmente há vários horários assim.

Eu só não esperava que um desses supostos horários menos cotados era de segunda-feira à 1 da tarde. Qualquer neófico em Cometologia sabe que as segundas-feiras são sempre dias de ônibus lotado, por conta do rescaldo do fim de semana. Mesmo no início da tarde, pois sempre tem aquele povo que dá uma prolongada por conta no fim de semana e resolve voltar no começo da tarde. E aí, nesta segunda, ele passou lotado, com 23 pessoas, e restou ao trouxa aqui esperar até o seguinte, às 13h20. E chegar em São Paulo atrasado, lá pelas 3 da tarde, já que, por conta dos inúmeros trouxas deixados para trás pelo microônibus desde dentro da cidade, imagine quantas vezes o maldito ônibus seguinte parou…

Sem contar que o microônibus pode ser bom para a empresa, para o meio ambiente e para o trânsito, já que é mais econômico, gasta menos combustível e ocupa menos espaço nas ruas. Para o passageiro, porém, é horrível: as poltronas são estreitas, o espaço para as pernas é apertado, você fica o tempo todo roçando o braço no vizinho. E, por incrível que pareça, ele parece ser mais lento que os bons e velhos Dinossauros, já que sempre demora mais para chegar.

Enfim, por enquanto, um péssimo negócio. Se eles ainda estão em teste, o meu voto é que os tais MicroCometas estão reprovados.

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Haja paciência

03/Dezembro/2008 · 2 Comentários

Acho que eu já disse que esses calouros de estrada são duros de agüentar. Olha só essa: terça-feira à noite, uma chuva dos diabos que Deus manda sobre a Castello e o Cometa pára, ali perto do pedágio de Itapevi. O motorista abre a porta e o sujeito entra, respingando em todas as primeiras poltronas:

- Quanto é a passagem?

- 15 reais.

Enquanto o motorista começa a furar a passagem, o cara puxa a carteira, pára, pensa melhor e pergunta:

- Mas 15 reais pra ir de pé daqui até Sorocaba?

- E quem disse que é de pé?

- Ué, mas tem lugar lá no fundo?

- (Suspiro) Meu amigo (suspiro), se não tivesse lugar eu NÃO IA TE VENDER A PASSAGEM. (bufada) NÃO PODE IR DE PÉ NA ESTRADA!

- Ah, então tá bom, obrigado.

E foi-se embora pro fundo, procurar um lugar pra sentar e respingando seu guarda-chuva pelo resto do ônibus. Confesso que deu vontade de virar e falar: “Meu amigo, seu lugar não é aqui não, é puxando aquela charrete ali!”

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Licença para mijar

14/Novembro/2008 · Deixe um comentário

Parece ridículo, mas lá vai o terceiro post seguido sobre o mesmo personagem. Ontem à noite, para variar, o Cometa das 21h30 atrasou e eu entrei e ocupei a poltrona 42 – tinha comprado a 41 e como de costume sentei no corredor, disposto a trocar com um eventual dono, e pronto para afastar qualquer um que entrasse pelo caminho – aliás, eu dia eu ainda vou entender a mania que as pessoas têm de entrar e ir direto pro fundo do ônibus.

Aí, ainda na Barra Funda, o tiozinho do cabelo tingido com cheiro de Belmont apareceu perto da minha poltrona. Perguntei se era dele o lugar, ele disse que não, virou-se e se instalou alguns lugares à frente, para minha alegria. Consegui manter a 41 vazia e vamo-que-vamo, até que ali na entrada da Castello entraram um PM e dois fiscais da Cometa e acabaram ocupando os últimos bancos. Passei para a janela e deixei o seu guarda se instalar onde eu estava, com a desagradável companhia de sua arma. Enfim, estava lendo e ouvindo R.E.M. e tudo ia bem – apesar do atraso – quando, na descida do posto, pouco antes do pedágio de Itapevi, o tiozinho levanta e se encaminha para o fundo e diz que vai mijar.

Os ônibus da Cometa que fazem a linha de Sorocaba não têm banheiro, o que já me obrigou a sérios controcionismos pra segurar a bexiga durante a viagem. (Deve ser psicológico, mas assim que eu desligo o computador pra ir embora eu sinto vontade de ir no banheiro, mesmo que tenha ido meia hora antes.) Mas o tiozinho fedido tinha novamente tomado umas e outras (mais pra muitas e todas) e, com uma garrafinha de água na mão, começou o seguinte diálogo com o fiscal:

- Dá licença que eu vou mijar.

- Mas o senhor não está vendo que aqui não tem banheiro?

- Não tem problema, eu improviso aqui nessa garrafinha.

- Não, meu senhor, pelo amor de Deus, o senhor não pode fazer isso aqui dentro, tá cheio de gente, crianças, senhores. Pede pro motorista que ele dá uma paradinha na estrada e o senhor faz o que tem que fazer.

- Paradinha o cacete. Eu já tenho dois B.O. contra a Cometa por causa desses filhas-das-puta que me deixaram na estrada quando eu pedi pra parar pra mijar. Vou mijar aqui mesmo, o senhor me dá licença.

Aí o seu guarda finalmente resolveu justificar sua passagem de graça e entrou na história, enquanto o fiscal corria lá na frente para pedir ao motorista que passasse o ônibus pro tiozinho mijar:

- Senhor, por favor, vamos lá, eu desço junto, garanto que o motorista vai esperar. O senhor não pode fazer isso aqui dentro, imagina que coisa feia, todo mundo olhando <I>(de fato, a essa altura o ônibus já tinha passado do pedágio e continuava solerte rumo à Manchester Paulista, com mais de meia hora de atraso, e praticamente toda a metade traseira aguardava o desenrolar do caso)</I>.

- Você tem certeza? Olha, hein, eu já fiz dois B.O. porque esse Cometa é uma desgraça, não dá pra confiar. Como não tem banheiro nesta merda de ônibus?

E saiu brontolando e resmungando, sob a reprovação do povo no ônibus, que parou. Um minuto depois, subiu novamente, instalou-se em sua poltrona e deve ter caído de cabeça no ombro do vizinho, enquanto eu comentava com o guarda que já conhecia o caso, que não era a primeira vez que ele viajava com a cara cheia, e o guarda lembrou bem a velha tradição bebum: “Duro é que, depois da primeira mijada, vai dar vontade toda hora…” Mas felizmente a viagen transcorreu sem maiores sobressaltos e o ônibus chegou sem a necessidade de novos pit stops. Haja paciência…

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Remember tomorrow

05/Novembro/2008 · Deixe um comentário

Nos tempos de Bauru, que em breve abordarei aqui para não virar um “querido diário”, a gente costumava usar essa música do Iron para ilustrar quando o cara ficava com a garota pela segunda vez, ou naquelas eventuais recaídas pós-fim de namoro, que sempre se revelavam traumáticas. Desta vez, porém, serve para ilustrar que reencontrei no Cometa de ontem à noite o mesmo tiozinho do post abaixo, com cabelos acaju e cheiro de cigarro barato.

Desta vez, porém, não tive o desprazer de partilhar de sua companhia na poltrona, embora tenha mais uma vez sofrido no ônibus lotado com um caboclo que não fez a menor questão de fechar as pernas na hora em que sentei ao seu lado, como se fosse “solteiro e sem filhos” e tivesse muito prazer em roçar a perna em outro marmanjo.

Depois de uma viagem daquelas, e feliz por chegar relativamente cedo, desci do Cometa e fiquei ali na mui aprazível rodoviária de Sorocaba à espera da salvadora carona da Camila, que estava no shopping. Olhei ao lado e vi o tiozinho, de terno e cigarro na mão, mas dessa vez não fiquei perto o suficiente para saber se estava cheirando cachaça de novo. Minutos depois, encosta o carro, o tiozinho joga o cigarro fora, entra e beija sua esposa – e eu ainda não descobri como alguém consegue conviver com aquele cheiro.

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De anafabetos, cachaceiros e mal-educados em geral

30/Outubro/2008 · 4 Comentários

Poucas coisas me irritam mais do que a cena que começou a estragar minha viagem de volta agora à noite. Você entra no ônibus, procura seu lugar MARCADO NA PASSAGEM e ele está ocupado.

- (Puta que o pariu, caralho, porra, quem mandou sentar no meu lugar?) Campeão, esse lugar era meu – digo ao caboclo com uma mala padrão viagem internacional estatelada na poltrona ao lado.

- Ah, é? Pô, cara, desculpa, mas eu nem olhei o número – diz, e coloca a malona no colo, numa cena pra lá de patética.

- (Cacete, não olhou o número como? Pensa que tá onde, imbecil, no metrô, no Vitória Régia?) Bom, tranqüilo, me diz qual é o número da sua passagem que eu sento lá. (Filho da puta, é cego? Nunca andou nessa merda de Cometa?)

- Dã… Deixa eu ver… é 9. Valeu, hein? – e imediatamente o babaca coloca sua mala de volta na poltrona ao lado.

Eu, de minha parte, estico o olho e, com uma raiva daquelas, vou dar uma conferida na poltrona 9 – mas, ali no meio, já tinha dado pra ver que estava ocupada, e meu humor às 21h27, depois de 43 matérias editadas no dia, não era dos melhores para repetir o colóquio. Então resolvo me sentar na poltrona 30 mesmo, imediatamente à frente da minha, torcendo para que não tivesse dono e, de preferência, não aparecesse ninguém.

Vã esperança. Nos estertores do fechamento do ônibus, chega um tiozinho de terno, cabelo tingido de acaju escuro, pede licença e senta-se ao meu lado, na poltrona da janela. Assim que ele se senta, sinto um cheiro insuportável, mistura de cachaça com cigarro vagabundo, tipo Derby vermelho ou Belmont (existe Belmont ainda?).

Com o mau humor chegando a níveis intoleráveis, tento encarar a viagem, pensando que logo vai acabar e poderei estar em Sorocaba ao lado da mulher amada, mas o odor começa a ficar insuportável. E a situação se complica de vez quando percebo que o tiozinho começa a cair para o lado, como se quisesse deitar no meu ombro.

Um discreto toque não resolve, e eu não estava nem um pouco a fim de criar confusão, então desisti da idéia de dar-lhe um safanão e partir para a discussão se ele acordasse, e me mudei para a poltrona da frente, onde um rapaz mais ou menos da minha idade se divertia com os extras de um DVD – que logo desligou para dormir. O que me irritou, neste caso, foi o fato de o cara estar sentado com a perna aberta, ver outra pessoa sentar e simplesmente manter as pernas do que jeito que estavam, e o novo “morador” que se foda para se ajeitar no espaço que lhe resta. Enquanto isso, no banco anterior, o tiozinho fumado-encachaçado se esparramava no banco duplo, e ainda mais atrás, o idiota da mala gigante dormia tranqüilamente no meu lugar. E olha que eu nem falei da policial de bunda gigante, com uns 150 cm de quadril. que passou raspando sua arma no meu ombro, tanto ao entrar quanto ao sair do ônibus.

O que me leva a pensar que se esse imbecil tivesse feito as coisas como devem ser, nada disso teria acontecido e eu teria viajado tranqüilamente, sem jogar adrenalina à toa no meu sangue. Da próxima vez, vou armar o barraco antes de o ônibus sair. Eu também sei como ser mal-educado quando é preciso.

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Nelsinho na domingueira

28/Outubro/2008 · 1 Comentário

Domingo, peguei o Cometa das 13h40 e não consegui dormir, estava cheio, com aquele monte de mães com crianças, e estava matando o tempo e tentando ficar com sono lendo o Caderno 2 de sexta-feira. De repente,  um rapaz, duas poltronas para trás, me pediu:

- Ei, moço, esse jornal aí tem os signos?

- Tem sim.

- Me empresta? Eu só gosto dessa parte de signo.

Passei para ele a página do Quiroga, na qual eu ainda não tinha lido os quadrinhos, e conheci Nelsinho, um cabeleireiro “homo só entre quatro paredes, aqui fora eu sou macho pra caralho”, que eu não consegui entender o que tinha ido fazer em Sorocaba, pois disse que tinha passado uns dias na cadeia e outros numa clínica de desintoxicação para drogados, mas à toa, “porque eu nunca mexi com droga. Quer dizer, eu fumo cigarro. E adoro uma cervejinha à noite. Mas só isso.”

Falando pelos cotovelos, como bom cabeleireiro, mas sem dizer coisa com coisa (como 80% dos cabeleieiros, especialmente os que gostam de falar de futebol e política), Nelsinho disse que era dono de um salão em Interlagos, perto do autódromo, mas estava indo para a casa da mãe, em Guarulhos, porque estava proibido de voltar para casa, já que tinha brigado com uma das dez irmãs, uma história escabrosa e completamente mal-explicada, que parece que foi o que o levou para um período de seis dias no xilindró.

O monólogo incoerente (ele só falava, não me dava espaço para rebater nada e nem sequer pedia minha opinião), em alta voz e que atría risadinhas amarelas de todo o ônibus, começou a me encher um pouco, depois de me tirar completamente o sono, e entre ameaças à irmã (“ela vai ver, com colocar ela na cadeia feminina e vão lamber ela inteirinha lá”) e delírios sobre a noite que prometia lá em Guarulhos, onde ia até pedir uma calça emprestada à mãe para ir pra balada, me perguntou como fazia para chegar até Guarulhos. Expliquei que, pelo que eu sabia, ele teria de descer na Barra Funda, pegar um metrô até a Sé, baldear e pegar na Armênia.

Já imaginando que teria uma mala a carregar no metrô, mas do nada Nelsinho levantou ao avistar a Barra Funda, devolveu-me o jornal “com os signos” , disse “prazer, moço” e saltitou até a plataforma, de onde não mais foi visto. E eu não consegui entender que diacho o Nelsinho foi fazer em Sorocaba.

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Privilégios

23/Outubro/2008 · 1 Comentário

Uma das coisas que mais me incomoda no Cometa é essa história de policial viajar de graça.

Nada contra a classe, que eu sei que ganha mal, não é reconhecida, acaba sendo malvista por causa dos erros de uns, aquele blablablá todo. Também nada contra o benefício em si, afinal tá cheio de gente que ganha o vale-transporte e não paga a passagem na prática, e eu acho justo que o Estado, além de remunerar bem o policial, pague o transporte dele. O que me incomoda é essa coisa de “olha como eu sou superior, vocês pagam o ônibus e eu ando de graça”.

Sem contar que, supostamente, o policial que está fardado está a serviço, certo? Então porque o sargento gordão que sentou atrás de mim anteontem roncava de dar gosto, de dar inveja a meu pai? E hoje, um bombeiro sentado ao meu lado dormiu sem miséria, de boca aberta, durante praticamente todo o percurso – só acordou para mudar de lugar quando eu comecei a falar no telefone, e, acreditem ou não, voltou a dormir de boca aberta.

Sei lá, pode ser apenas pegação no pé minha, e a grande maioria dos policiais de fato nem age dessa forma, dormindo como um porco ou se sentindo como um boi, mas eu preferia que eles ganhassem vale-transporte e preenchessem passe como todo mundo. Seria mais honesto.

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Cuidado com o diabo

22/Outubro/2008 · Deixe um comentário

— O diabo está à sorta!

Com o MP3 tocando “Thologians” do Wilco em alto e bom som, mal pude perceber que a senhorinha esquisita falava comigo ali no ônibus. Cabelos naquele tom de loiro queimado padrão tintura velha, com cinco ou seis centímetros de raiz denunciando, saia e blusa estampadas mas sem combinar e um chinelo rasteiro, eu já havia percebido ela resmungando de alguma coisa com a senhorinha bem vestida ao lado dela, mas achei que estivessem juntas. Então foi mesmo surpreendente perceber que ela estava falando comigo, e repetiu, ao ver meu sorriso amarelo:

— O diabo está à sorta!

Então percebi que era comigo, e tirei o fone para tentar ouvir o que a senhora dizia.

— O diabo está à sorta!

Sem saber o que responder, sorri amarelo novamente, acenei positivamente com a cabeça e ela continuou:

— Você vê, todo mundo matando todo mundo. A menina lá em Santo André, o Sendas. O diabo tá à sorta no mundo, só não percebe quem não quer. Eu conheci o Sendas no tempo que eu morava no Rio de Janeiro, uma comadre minha chegou a trabalhar na casa dele. Homem bom, que era. Você vê, morreu de tiro.

E seguiu com uma ladainha incompreensível citando a comadre, ou talvez fosse uma cunhada, e como era bom no tempo em que vivia no Rio de Janeiro, que era muito melhor do que Sorocaba naquele tempo, mas que hoje estava muito inseguro e talecoisa, e percebi que já não falava mais comigo, e voltou a resmungar na direção da outra senhora, que também não lhe deu a menor atenção, e começou a falar sobre algo referente a 12 pontos na mão, que de fato estava enfaixada. Logo chegamos ao Terminal Santo Antônio e descemos do Paineiras – linha 46, ônibus que havia me levado do consultório da Camila ao centro de Sorocaba, para de lá pegar mais um Cometa rumo a São Paulo.

final, viajante de ônibus convicto é aquele que anda de busão até dentro da cidade. E figuras estranhas, bem, essas se encontram em qualquer lugar. É melhor tomar cuidado, porque não se sabe quando uma delas pode falar com você – ou, pior, atirar em você. Afinal, o diabo está à sorta.

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Você sabe que está cansado…

13/Outubro/2008 · 1 Comentário

Quando senta no Cometa para uma viagem de domingo à noite e cai no sono antes mesmo de chegar à Marginal do Tietê, e acorda dentro de Sorocaba, já passando pela Felivel e pelo Bombeiro. Isso sim é que é uma viagem reparadora, em que você nem percebe os malas, os bebuns.

Diria eu que foi um contraste completo com a Barra Funda, que estava INFESTADA de gente, mesmo sendo um antiferiado, quer dizer, na prática um domingo comum, a não ser para os malucos que foram até Aparecida.

Contraste total também com a volta de sexta-feira, quando peguei o ônibus e estava aquele cheiro de cachaça no ar, tradicional das noites de sexta, e tive a manha de me sentar exatamente ao lado do bebum responsável pelo cheiro, que exalava um odor de Contini estragado. A situação estava tão lamentável que me vi obrigado a mudar de lugar e passar para o banco de trás, ao lado de uma moça que se divertia com seu MP7 cheio de joguinhos e animações incríveis (ok, isto é uma ironia). Foi difícil pra dormir, mas pelo menos não tinha aquele cheiro insuportável. Se bem que, cansado do jeito que eu estava ontem, era capaz de eu dormir até mesmo ao lado do pé de cana.

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Raridades

09/Outubro/2008 · 1 Comentário

O Flecha de Prata, ônibus que ilustra esse blog já não roda mais com essa pintura. Em 2003 ele começou a ser substituído pelos modelos Halley, com ar condicionado, e a partir de 2005 começou uma recauchutagem na pintura dos mais velhos que deixou todos azuis, com a nova tipologia da Cometa, e as antigas poltronas tiveram o tradicionalíssimo estofamento de couro vermelho, mais ortodoxo que embalagem de maizena, como diria o Veríssimo, substituído pelo pano azul que eu sempre achei muito mais confortável e higiênico.

Eu, que tenho lá minhas manias de pobre, nunca gostei muito dos ônibus novos e, com raras exceções daqueles dias de calor infernal, sempre preferi o ônibus tradicional, até porque eles eram bem mais rápidos que os novos – segundo os motoristas, os novos “não andam nada”, e além de tudo a luzinha do modelo da Mercedes é horrorosa pra se ler à noite, não ilumina nada. (Na real, eu odeio ônibus com ar condicionado desde que terminei rouco e espirrando feito um doido uma viagem de 13 horas e meia entre Bauru e Belo Horizonte, lá por volta de 1998.)

Recentemente, a Cometa resolveu comprar trocentos novos ônibus cheios de filustria e não-me-toques, com ar condicionado, fez uma festa toda com eles, e praticamente aposentou os Flechas velhinhos, praticamente restringindo-os à linha via Raposo. Pelo menos os novos têm luz de leitura decente, mas também são meio lerdos, digamos assim. (Na verdade eles têm tacógrafo e os motoristas são obrigados a respeitar o limite de 90 quilômetros por hora, que sempre foi uma lenda no caso do Cometa.)

Por isso, não foi sem certa surpresa que dia desses, ao descer para a plataforma, vi um dos velhinhos estrategicamente posicionado para levar o povo para Sorocaba no horáriodas 21h30. Foi com certa nostalgia que me sentei, fechei a janela e embarquei, no tradicional movimento de deitar o banco, tirar o tênis, jogar a bolsa no banco ao lado. Fechei os olhos, dormi o sono dos justos e antes das 22h40 já estávamos na Castelinho, ótimo desempenho em comparação com os novos ônibus. Desci e pensei que pode ter sido minha última viagem num desses. Um capítulo que se encerra – ou não, já que nunca se sabe quando a Cometa pode ressuscitar um deles.

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A lógica e os embalos de sábado à noite

06/Outubro/2008 · Deixe um comentário

Desde o início do regime nazifascista de plantões a cada fim de semana sim outro não, esse último foi sábado foi o primeiro em que tive de ir e voltar de ônibus. Geralmente a Camila vem na tarde do sábado, ou na sexta à noite, mas dessa vez não deu porque ela estava com a agenda abarrotada, tinha um compromisso familiar à tarde e ainda deveríamos cumprir o nosso dever cívico. Então, catei o Cometa das 12h45 e pude perceber, empiricamente e para o bem, que nem sempre pegar o ônibus mais cedo dignifica chegar mais cedo.

Peguei o das 12h45, e isso depois de menos de um minuto de espera, diria eu que um sinal vermelho a mais e eu estava lascado. Quando olhei para o relógio, esparramado em minha poltrona de um ônibus praticamente vazio, passando já na ponte do Doninha, vejo um Cometa parado pegando mais um passageiro. Imediatamente olhei para o relógio e vi: 13h17. Um ótimo desempenho – considero “bom” quando o ônibus entra na Castello em meia hora de viagem, a partir da hora “oficial” do busão -, mas logo me liguei que aquele era o das 12h30 e imaginei que estaria extremamente irritado se estivesse naquele ponto, ainda pegando gente, depois de mais de 45 minutos de viagem.

Em São Paulo havia um trânsito inexplicável entre a Ponte do Piqueri e a do Limão, não consegui descobrir os motivos no jornal, parecia apenas o tradicional gosto paulistano de encarar engarrafamentos. Na entrada para a Barra Funda, fez o tradicional pedido para descer “na esquina”, ou seja, na saída do estacionamento da CET, de onde atravesso a Ponte Júlio de Mesquita e desço para a Marginal, e vejo o das 12h30 encostando em seguida, lotado, gente pelo ladrão.

Agradeci aos céus por ter comido o segundo pedaço de pizza no meu pai, garantindo o almoço após uma tumultuada manhã de sábado, e por não ter tido pressa para pegar o ônibus que sai mais cedo e nem sempre chega mais cedo (já estive na outra situação é posso garantir que é bem ruim.

Aí, na hora de voltar, depois de sair do jornal às 21h25, cheguei à Barra Funda e vi que o que parecia ser o Cometa das 21h30 estava no ponto. Saí em disparada, pelo próprio terminal urbano e turístico, para a pouco aprazível ruinha dos fundos, onde o ônibus faz a volta para pegar a rua dos trilhos e de lá a saída do Viaduto Pompéia. Pois bem, imaginei que pegaria um ônibus vazio, com espaço pra lá de disponível – ledo e ivo engano, como diria o outro, estava lotado. Para caralho. Tanto que, após aquela básica olhada ao fundo, à busca do lugar duplo, já me garanti e sentei logo no primeiro banco, ao lado de uma senhora magra e pouco espaçosa, o tipo ideal de companhia.

Acreditem ou não, mas o ônibus encheu ainda mais, a ponto de lotar e ter gente andando em pé, durante um trecho. Cheguei tarde à beça, depois das 11 da noite, tão incrédulo quanto cansado, sem saber o que faz tanta gente ir de São Paulo a Sorocaba numa noite de sábado. Penso aqui que talvez seja por ser véspera de eleição, calculo que daqui a duas semanas posso tentar descobrir.

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Vovós fora de controle

03/Outubro/2008 · 1 Comentário

Eu tenho raiva de gente barraqueira no Cometa. Mesmo quando reclamo do motorista de atraso ou de ter sido largado pelo ônibus anterior, sempre minha exaltação se apaga quando sento no meu banco. Mas hoje, no Cometa das 12h45 que eu já peguei atrasado, tinha um bando insuportável de velhas discutindo e batendo boca alto.

Uma reclamava das inúmeras paradas do ônibus pra pegar gente, outra mandava ela parar de reclamar, uma terceira xingava a segunda, um tiozinho três poltronas atrás, outra moça resolveu entrar na discussão e o Cometa virou uma inustiada e ridículo versão 2.0 de uma feira livre.

Nessa brincadeira só me restou aumentar o som até o talo e escutar o novo do Oasis. Bom, ainda que nenhuma música tenha me cativado – por enquanto – como “Stand By Me” ou “Live Forever”, sonho meu. O duro foi, depois, tirar um cochilo, acordar já em São Paulo e perceber que as velhotas continuaram discutindo o caminho inteiro. “Elas estão descontroladas”, já diria o funk. Imagino o que me espera na volta…

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Sonho meu

02/Outubro/2008 · Deixe um comentário

Ontem eu saí mais cedo do jornal, um pouco antes das 21h, com a doce ilusão de que conseguiria chegar mais cedo que de costume em casa. Sob finas gotas de garoa (escapei por minutos do toró), caminhei a passos largos até a Ponte da Freguesia do Ó, para não correr o risco de ser deixado para trás ali na frente da Mercedes. Cheguei lá às exatas 21h09, ou seja, hipótese zero de que o Cometa das 21h já tivesse passado.

Devia ter olhado com mais atenção para o outro lado da Marginal, que ainda tinha trânsito lento, mesmo naquele horário. Trânsito lento significa atraso nos Cometas que chegam de Sorocaba para a Barra Funda – e conseqüente atraso nas saídas de volta para a Manchester Paulista.

Esperei. Esperei, esperei e esperei, bufando com gosto e reclamando pra mim mesmo a cada ônibus que passava. Quando eram 21h33, chega o maldito, com plaquinha das 21h, mais de 20 minutos atrasado. “Ah, tava duro de chegar, esse trânsito todo”, justificou o motorista, que acabou ouvindo as minhas queixas. Afinal de contas, se tava ruim o trânsito, tava pra todo mundo. Mas os Cometas de Jundiaí e Campinas passaram britanicamente em seus horários, ou seja, a empresa certamente providenciou carros extras para essas linhas. Já para Sorocaba, que eles monopolizam, deixa que a gente espera. De fato, foi melhor ter ido até lá, pois se tivesse ido para a Barra Funda, provavelmente o das 21h30 atrasou pra cacete e eu ia chegar ainda mais tarde e ficar com ainda mais raiva.

Cheguei praticamente no horário de sempre, lá pelas 11 da noite, encarando chuva forte e mais dois ônibus urbanos cheios de estudantes imbecis cantando os jingles mais infames dos candidatos sorocabanos. (Aos 30 anos, percebo o quanto a gente é idiota aos 18) E prometendo que chegará o dia em que não darei mais um centavo do meu dinheiro à Cometa. Por ora uma promessa impossível de cumprir, mas chegarei lá.

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